Testes envolvendo CRISPR são promissores para identificação do coronavírus

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Testes envolvendo CRISPR são promissores para identificação do coronavírus

Ser capaz de testar infecções por coronavírus é um componente crítico para reabrir a sociedade – mesmo que um pouco – após a onda inicial do coronavírus. Portanto, há uma necessidade urgente de testes mais rápidos e mais baratos do que os disponíveis no momento.

Uma abordagem para a próxima geração de testes está sendo desenvolvida pela Universidade da Califórnia, pela San Francisco Medical School e pela Mammoth Biosciences. Em um artigo divulgado quinta-feira na revista Nature Biotechnology, os pesquisadores descrevem um teste baseado em uma nova tecnologia conhecida como CRISPR.

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Os sistemas CRISPR têm sido amplamente utilizados pelos pesquisadores para modificar o material genético nas células vivas. Nesse caso, um sistema conhecido como CRISPR-Cas12 é usado para reconhecer assinaturas genéticas do coronavírus que causa o COVID-19 e, em seguida, faz cortes para liberar uma molécula fluorescente que mostra se o vírus está presente ou não.

Como o teste desenvolvido pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, esse teste baseado no CRISPR pode executar várias amostras ao mesmo tempo. E enquanto a versão do CDC fornece respostas em horas, o teste da UCSF e da Mammoth Biosciences é mais rápido – fornecendo resultados em 30 a 45 minutos.

O teste é independente e, portanto, não requer equipamento sofisticado e caro usado em outros testes para o vírus.

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Cientistas buscam testes fáceis para o coronavírus

“Agora eu posso executá-lo em casa”, explica o Dr. Charles Chiu, professor de medicina laboratorial da UCSF e co-líder no desenvolvimento do novo teste – embora ele observe que é necessário algum conhecimento para conduzi-lo. Ele diz que ele e seus colegas esperam enviar a versão atual do teste na próxima semana para aprovação da FDA. Mas provavelmente não será a fase final.

“O que realmente queremos desenvolver é algo como um dispositivo portátil, de bolso, usando cartuchos descartáveis”, diz Chiu – algo que pode até ser usado por não especialistas como teste doméstico. Chiu acredita que esses testes possam ser fabricados em uma escala amplamente disponível.

Outros laboratórios, incluindo dois no Broad Institute, em Cambridge, Massachusetts, também estão trabalhando em testes de diagnóstico baseados no CRISPR.

Sara Sawyer, virologista da Universidade do Colorado, está tentando dar um passo adiante no mundo dos testes. Ela está tentando desenvolver um teste de baixo custo que as pessoas possam usar em casa para revelar se estão infectadas – dias antes de apresentarem algum sintoma.

“Há dois anos, trabalhamos na tentativa de desenvolver um diagnóstico capaz de captar os estágios iniciais das doenças respiratórias comuns”, diz Sawyer. O teste dela não procura o próprio vírus. Em vez disso, procura uma resposta ao vírus pelas células de uma pessoa infectada.

A idéia é que, quando as células do nariz e da garganta são infectadas, certos genes são ativados que normalmente não são ativados. Sawyer diz que é possível detectar esses genes “regulados” na saliva – em vez do esfregaço nasal em que outros testes de coronavírus dependem. A questão é: ela consegue distinguir o novo coronavírus de outros vírus? Ela acha que pode.

“A resposta é talvez”, diz Benjamin tenOever, virologista da Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai, na cidade de Nova York. Ele diz que sim, a infecção pelo vírus que causa o COVID-19 resulta em diferentes genes sendo regulados, em comparação com a gripe ou outros vírus. Ele é cético em relação à tecnologia existente para detectar essas diferenças.

“Eu diria que teoricamente é possível”, diz tenOever. “Ela é uma cientista muito inteligente. E então, se ela disser que pode fazer isso, eu daria a ela o benefício da dúvida.”

Sawyer formou uma empresa para construir seu kit de teste. Para que a sociedade reabra, ela diz, haverá maneiras fáceis de as pessoas verificarem o status de infecção. Ela está no processo de projetar e arrecadar dinheiro para um estudo para validar a precisão do teste.

“Acreditamos que a saliva é a chave para retirar esses testes do consultório médico”, diz Sawyer, porque todas as pessoas teriam que fazer para coletar uma amostra para cuspir no copo. Sem coleta de sangue, sem compressas nasais. Fácil.

Se isso funcionar.

Fonte: NPR

Traduzido e adaptado por equipe Ktudo.

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